segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Espaço na Pré-escola

          Hoje, navegando pela Internet, lembrei-me das minhas angústias em relação a construção de escolas, do espaço físico mais especificamente e seus usos para/na educação infantil. Lembrei-me, também, que tais inquietudes advinha de outros momentos e de observações in loco, por mim realizadas. Então, não pude me furtar de compartilhar com vocês tal fato e de falar da importância de se pensar o espaço físico da escola infantil e do entendimento e, por que não dizer, do aproveitamento que se faz dele nos dias atuais.
 
Sala de aula com «cave seat» (nicho), Galilee Catholic Learning Community, Russell & Yelland Architects

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir; não como ilhar e prender;
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que se abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.
[...]
MELO NETO, João Cabral de. Fábula de Um Arquiteto,
A Educação pela Pedra. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1996. p. 36.


          Este aspecto me chamou a atenção quando no ano de 2009, enquanto supervisora de estágio do curso de Pedagogia, parei e observei algumas escolas e a decoração de algumas salas de aula. Ao visitar escolas, pertencentes a rede pública e privada, percebi que indiferente do sistema de ensino a que elas pertenciam havia similaridades em sua constituição. No entanto, alguns espaços não fora pensados para propiciar a aprendizagem significativa e tão pouco propiciava o desenvolvimento de atividades lúdicas, mas sim haviam sido pensadas com base no número de alunos que ali poderia ser atendido, sentados em suas carteiras enfileiradas; e em decorações que seguem modismos veiculados pelos meios de comunicação de massa.
          Neste momento começava não uma, mas sim um turbilhão de inquietudes a respeito da "magia" que se cobra do professor da Educação Infantil durante sua atuação; na forma utilizada na construção da escola infantil; da grande quantidade de cimento, cal e tijolo ali empregados; nas incoerências que se há quando o espaço escolar passa a atender uma demanda de mercado em detrimento dos seus reais objetivos.
          Assim, iniciei a externação de minhas inquietudes ministrando uma oficina sobre a construção de um ambiente alfabetizador com o uso do EVA. Mas, só esta atitude fora pequenina demais frente ao que sentia. Sabia que decorar paredes com foco na aprendizagem e pensando em seu uso social ainda era pouco.
          Quanto mais observava os prédios, as escolas, mais pensava:
          - Se na infância é tão importante a vivência do lúdico, o contato com a diversidade e o meio ambiente, como pode os prédios escolares serem tão frios e trazerem em sua constituição tão pouca tal ludicidade?
          E, hoje ao deparar-me com o vídeo O Espaço na Pré-escola", não resisti em compartilhar convosco tais inquietudes. Ah! Lembro-me também de um trabalho de TCC que falava sobre o ambiente alfabetizador na pré-escola e apontava os aspectos estruturais necessário para que as escolas infantis se tornassem realmente ambiente de aprendizagem significativa e prazerosa.
          Abro agora uma ressalava a respeito do termo "Ambiente Alfabetizador". Ressalto que o termo aqui empregado não deve ser entendimento como função da pré-escola preparar o aluno para o Ensino Fundamental, ou seja, tornar-se uma etapa preparatória para um nível superior, um momento de ensino propedêutico. Mas, sim desta como um espaço para que as práticas da infância possam culminar numa aprendizagem significativa para as crianças pequenas, segundo os objetivos destinados a elas.
          Assim, compartilho convosco o vídeo "O Espaço na Pré-escola", da série Educação Infantil, disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=J7aX-yhk0So e que por meio de um resgate da história da escola Dom Pedro I, situada no Bairro do Ipiranga, da cidade de São Paulo, demonstra a importância de uma escola pensada, com espaços atrativos e divertidos para as crianças. Escola esta construída sob a preocupação da década de 1930 (já que ela é de 1935), onde a Escola Nova acreditava na necessidade da higiene mental; com muros de pilastras que dão a sensação de escola aberta, e de não confinamento. E, assim o espaço é entendido como um elemento curricular.
          No vídeo a prof.ª Rivânia Kalil Duarte, diretora da Escola Dom Pedro I e pesquisadora, afirma que
          - "[...] o espaço é muito mais importante do que a gente pensa, porque ele não é só um apoio, ele não é só um elemento que favoreçe a aprendizagem, mas ele tem seu o propósito, ele é um elemento curricular".
          E a prof.ª Gisela Wajskop reitera e diz que Rivânia "[...] aponta uma ideia muito importante a ser discutido entre os professores em qualquer escola, que é o papel do espaço na educação das crianças pequenas. As crianças pequenas constróem sua personalidade, a sua identidade, na mediação com os outros, em primeiro lugar, mas no lugar onde elas vivem."
          Rivânia diz mais:
          - Um espaço totalmente cimentado ele vai ajudar determinar que atividades vão ser desenvolvidas lá. Como esse espaço, dessa escola, que é jardinado, tem campo de areia, muitos brinquedos. A hora que as crianças saem ele mesmo convida, ele mesmo já propõe.
          E... finalmente inicio, uma discussão em relação a este tema. Com a espera que um novo olhar se inicie também para a construção da escola infantil, respeitando as especificidades deste momento, orpotunizando novos espaços para a construção do saber, e sabendo que o espaço interfere diretamente na aprendizagem da criança.

Para saber mais, leia:
Arquitetura Escolar e Aprendizagem Criativa. Disponível em: <http://germinai.wordpress.com/2009/02/16/arquitetura-escolar-e-aprendizagem-criativa/>.

Para saber mais, veja:
          Organizacao do Espaço e do Tempo. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Gdg2j_Y-BsQ&feature=related>.
         


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